“Alegrai-vos sempre no Senhor; novamente vos digo: alegrai-vos”

Semana de 10 de dezembro de 2018 (referência: leituras do domingo 16 de dezembro)

Terceiro Domingo do Advento

Leituras: Sof 3,14-18a; Filip 4,4-7; Lc 3,10-18

 

“Alegrai-vos sempre no Senhor; novamente vos digo: alegrai-vos”.

 

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, as multidões perguntavam a João Baptista:

«Que devemos fazer?»

Ele respondia-lhes:

«Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma; e quem tiver mantimentos faça o mesmo».

Vieram também alguns publicanos para serem batizados e disseram: «Mestre, que devemos fazer?»

João respondeu-lhes: «Não exijais nada além do que vos foi prescrito».

Perguntavam-lhe também os soldados: «E nós, que devemos fazer?»

Ele respondeu-lhes: «Não pratiqueis violência com ninguém nem denuncieis injustamente;

e contentai-vos com o vosso soldo».

Reflexão vicentina

A palavra-chave deste terceiro domingo do Advento é “alegria”.

 

São Paulo faz um poema em torno da alegria no Senhor, em sua Carta aos Filipenses.  Ele diz: “alegrai-vos sempre no Senhor; novamente vos digo: alegrai-vos”.  E, logo depois diz como podemos ser sempre alegres.  Ele pede primeiro, que “não nos inquietemos com coisa alguma” e, segundo, que “em todas as circunstâncias, apresentemos os nossos pedidos diante de Deus, com orações, súplicas e ações de graças”.

 

Estes conselhos são muito interessantes para que possamos nos desapegar de nossa ansiedade, da busca incessante do poder, do dinheiro e da glória.  Quando São Paulo nos diz para não nos inquietarmos com coisa alguma, não quer dizer que sejamos passivos e que deixemos “a vida nos levar”.  A vida de São Paulo é um exemplo de quem luta, se esforça dia e noite para evangelizar: ele nunca se deixou levar pela passividade!

 

O Evangelho de São Lucas indica claramente o que significa “não se inquietar com coisa alguma”.  Jesus diz: “quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma” e depois diz “não exijais nada além do que vos foi prescrito”.

 

Como é difícil, meu Deus, que nos contentemos com tantas graças que Deus nos dá, o que Ele nos prescreve!  É verdade que devemos lutar pela vida, mas não podemos ser escravos de nossa ambição.  E devemos sempre agradecer a Deus o que Ele nos dá.  Antes de tudo, devemos dar graças a Deus pelo dom da vida, por podermos trabalhar, por podemos rezar e seguir os Seus planos para nós.

 

O segundo conselho que Paulo nos dá para que sejamos alegres é confiar em Deus, apresentando sempre a Ele os nossos pedidos.  Quando nós pedimos a Deus com fé aquilo de que precisamos, passamos a sentir a tranquilidade de que nossos pedidos serão atendidos.  A confiança em Deus nos dá uma enorme sensação de liberdade, através da convicção de que fizemos tudo o que podíamos para obter o que queríamos, mas quem completa a graça é o Senhor.

 

E, quando recebemos o que pedimos, temos a alegria de constatar que Deus olha por nós, que Ele nos mima, e que sempre quer nos tratar como filhos amados.  Esta sensação é um enorme sentimento de conforto que se traduz em alegria.

 

Não é preciso que saiamos por aí gritando de alegria.  A felicidade no Senhor é algo que toca profundamente o nosso coração, dando-nos uma realização plena, algo que contagia os outros.

 

É esta alegria contagiante que devemos levar à casa do Pobre, como vicentinos.  Às vezes, nem mesmo precisamos levar algo material aos assistidos, mas basta que levemos a esperança, a alegria da fé e a caridade expressada no amor genuíno e profundo.  Nossos assistidos têm que sentir a nossa alegria; a alegria de quem está levando consigo o próprio Cristo para dentro de sua casa.

 

Por outro lado, o assistido alimenta a nossa alegria no Senhor, porque o contato com ele faz com que valorizemos o que temos, reduzindo nossa ansiedade pelo que ainda não temos.  O assistido também nos ajuda a depositar nas mãos de Deus os nossos pedidos.  Aliás, é uma atitude misticamente efetiva, pedir aos nossos assistidos que rezem pelas nossas necessidades: os Pobres estão sempre muito mais perto de Deus e têm o Seu carinho de forma especial.  Por isso, Deus Os escuta de maneira especial, em particular, quando pedem pelas nossas necessidades.