Amigos de fé, irmãos camaradas

O amor aos Pobres une vicentinos que, além de membros de uma mesma Conferência ou Conselho, fomentam verdadeiras amizades

Tertuliano (160 d.C – 220 d.C) foi um dos pioneiros escritores a narrar o cristianismo. Ao observar os primeiros cristãos, ele disse: ‘Vede como se amam’. Isso porque esses primeiros cristãos preservavam de forma ímpar a amizade, a solidariedade e o respeito ao outro, cumprindo com rigor o principal ensinamento de Jesus Cristo: “Dou-vos um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13, 34). Se Tertuliano tivesse a oportunidade de conhecer uma Conferência ou Conselho Vicentino na atualidade, será que ele se depararia com um grupo de amigos unidos pelo afeto, atenção, carinho, companheirismo e lealdade?

Apesar das divergências que podem surgir no cotidiano das Unidades Vicentinas, os membros nunca podem se esquecer de que é necessário ter uma relação respeitosa, afinal, são todos amigos que lutam juntos pela causa dos Pobres.

O Regulamento da SSVP do Brasil, na página 23, traz uma importante recomendação sobre a amizade nas fileiras vicentinas. “Os vicentinos reúnem-se como irmãos e irmãs na presença de Cristo no seio das Conferências, verdadeiras comunidades de fé e amor, de oração e ação. É essencial que haja um laço espiritual e uma amizade efetiva entre os membros, bem como uma missão comum ao serviço dos desprovidos e dos marginalizados. A Sociedade representa uma só e única comunidade de companheiros vicentinos através do mundo”.

EM COMUNIDADE

 

O que diferencia os seres humanos dos outros animais é justamente a capacidade que os indivíduos racionais têm de viver em comunidade, partilhando a amizade. O próprio Jesus Cristo impele os cristãos a terem uma convivência social, motivando-os à oração conjunta. “Porque, onde estiveres dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mateus 18:20).

Outras passagens bíblicas elucidam a importância da vivência em grupo. O Pentecostes, por exemplo, aconteceu em comunidade. Para que pudesse voltar a enxergar, Paulo precisou entrar na comunidade; tais ensinamentos vêm mostrar que há graças que Deus só concede em comunidade, porque Ele quer que os cristãos cresçam juntos na fé.

Assim aconteceu com Antonio Frederico Ozanam (1813-1853). Em vez de praticar a caridade sozinho, ele reuniu os melhores amigos para o trabalho com os Pobres, fundando as Conferências de Caridade.

Ozanam dava tanto valor à amizade que, em suas cartas, sempre usava frases de impacto para defender o papel de um amigo. Leia algumas a seguir:

 

1)  “A amizade é o vínculo por excelência para cimentar a caridade”

2)  “A lembrança de meus amigos é, para mim, infinitamente preciosa”

3)  “Após grandes emoções, sente-se mais vivamente a necessidade de se encontrar, de conversar e se entregar às doçuras da amizade”

4)  “Sempre muito me impressionaram estas palavras de Davi, ao implorar a Deus ‘que o corrigisse pela voz de um amigo’”

5)  “Parentes e amigos formam duas espécies de companheiros que Deus nos concedeu para com eles caminharmos pela vida”

6)  “Amizade: eis o laço sagrado a nos unir perante a Deus e os homens”

7)  “O sangue tem direitos inatos e imprescritíveis, mas a amizade tem direitos adquiridos e sagrados, e alegrias insubstituíveis”

8)  “Precisamos de pais que nos amem, mas necessitamos também de amigos aos quais estejamos unidos”

9)  “As ocupações, por mais importantes que sejam, devem dar lugar por algumas horas aos deveres da amizade”

10)  “Há amizade mais pura que a amizade cristã?”

 

 

De amigas de Conferência a comadres

Em Passos (MG), a amizade entre as consócias Hélia Maria Marques Barbosa e Aparecida da Penha Cardoso foi bem além da Conferência Santa Rita. De tão amigas, Hélia decidiu chamar Aparecida para ser madrinha de casamento. “É uma irmã que a SSVP me deu, um presente de São Vicente”, descreve Hélia.

Ambas ingressaram na Unidade Vicentina no ano de 1982 e, desde então, tornaram-se parceiras de vida. Hélia conta ainda que, além de Aparecida, a SSVP proporcionou-lhe muitos outros amigos aos quais ela cultiva profundo respeito, admiração e amor.

 

De amigos de Conferência a namorados  

 

Sabe aquela expressão ‘amizade colorida’, encaixa-se bem na história do confrade Cláudio Henrique dos Santos e da consócia Natália Frazão Duarte, membros da Conferência Nossa Senhora das Dores, em Lagoa da Prata (MG).

Eles se conheceram dentro da SSVP, ficaram amigos e se apaixonaram. Namoram há cerca de 2 anos e meio. “Foi uma amizade que virou amor. Ela me completa, porque está sempre ao meu lado nos trabalhos vicentinos e compartilhamos do mesmo ideal de vida: o amor aos Pobres”, declara-se Cláudio.