Rosalie Rendu-conheça mais sobre a beata vicentina

Já ouviu falar em Família Vicentina? Ela é formada por Ramos que têm como base o trabalho caritativo, inspirado em São Vicente de Paulo. Dentre eles, estão a Sociedade de São Vicente de Paulo, Congregaçáo da Missão (dos padres Lazaristas) e as Filhas da Caridade (das Irmãs Vicentinas). E amanhã (7) é o dia de celebrar uma delas: a bem-aventurada Rosalie Rendu.

Vale ressaltar que a Irmã exerceu importante papel na orientação espiritual do beato Antonio Frederico Ozanam, na fundação da SSVP.

Conheça mais sobre a beata vicentina por meio de um artigo do padre Maloney (da Congregação da Missão-CM):

 

Cinco Rostos de Rosalie Rendu

 

Rosalie Rendu era uma mulher extraordinária. Embora as numerosas biografias escritas a seu respeito sejam pobres em qualidade, o vigor, a criatividade, a coragem, a fidelidade de Rosalie brilham nos relatos daqueles que a conheceram. Bem antes de sua morte, já era célebre. Uma multidão imensa, estimada entre quarenta a cinquenta mil pessoas de todas as categorias sociais, afluíram aos seus funerais, em 9 de fevereiro de 1856. Por isso, permitam-me apresentar-lhes cinco rostos de Rosalie Rendu.

1.      Trabalhadora e organizadora extraordinária

Rosalie nasceu a 9 de setembro de 1786, em Confort, uma localidade da Savóia. Tinha exatamente 15 anos quando partiu para Paris. Passou mais de 50 anos de sua vida no bairro Mouffetard. Suas obras eram prodigiosas. Havia uma escola de ensino fundamental onde Rosalie ensinou, inicialmente, e dirigiu mais tarde. Embora não tivesse nível de instrução muito elevado (os biógrafos dizem que nunca escreveu muito bem o francês), ela e as outras Irmãs trabalhavam, laboriosa e obstinadamente, para ensinar leitura, escrita, cálculo elementar e catecismo às crianças.

Para as jovens e as mães mais carentes, rapidamente, Rosalie organizou cursos de costura e de bordado. Mais tarde, fundou uma creche e uma escola de educação infantil onde os filhos das mães operárias eram acolhidos durante o dia. Para estas mesmas pessoas, ela fundou as Filhas de Maria, como um ramo para as mães cristãs e dedicado a Nossa Senhora do Bom Conselho. Embora Rosalie não fosse partidária dos orfanatos, aceitou, em 1851, dirigir um; em 1852, abriu um abrigo para idosos.

E mais, ela e suas Irmãs dirigiam um centro de acolhida para a distribuição de vales para alimentos e lenha; tinham também uma farmácia, um dispensário e uma rouparia. Ela ajudou na organização das Conferências de São Vicente de Paulo e orientou seus membros. Participou no restabelecimento das Senhoras da Caridade, em 1840. Cuidou dos doentes e dos agonizantes durante as frequentes epidemias de cólera e, sobretudo, visitou a domicílio, durante toda a sua vida, os pobres e os doentes. Durante as epidemias de 1849 e 1854, morriam mais de 150 pessoas por dia na paróquia onde Rosalie e suas Irmãs trabalhavam. Elas serviam os vivos, acompanhavam os agonizantes e enterravam os mortos.

O segredo da prodigiosa energia de Rosalie e de suas numerosas obras era, precisamente, o segredo que São Vicente deixou para todos os seus discípulos: via o rosto de Cristo na pessoa dos pobres. Uma das Irmãs que viviam com ela conta como Irmã Rosalie animava a comunidade: “Amemos muito o bom Deus, não regateemos quando se trata do dever; sirvamos bem os pobres, falemos-lhes sempre com grande bondade. Se não agirmos desta maneira seremos castigadas: os pobres dir-nos-ão injúrias, porém, quanto mais grosseiros forem, mais dignas devemos ser. Lembremo-nos que estes farrapos ocultam Nosso Senhor” .

Aparentemente doente, Rosalie foi enviada do noviciado quando ainda não tinha 17 anos, na esperança de que a mudança de clima pudesse melhorar sua saúde. Parece difícil imaginar que o clima fosse melhor no pobre bairro Mouffetard, mas como completava ali seu Seminário, vivia e trabalhava nesta comunidade, ali ela se desenvolveu. Logo ganhou o afeto das Irmãs daquela casa. Voltou à Casa Mãe para a “tomada de hábito” levando umas palavrinhas para a Superiora Geral, da parte da Superiora local, Irmã Tardy: “Estou muito contente com esta pequena Rendu; dê-lhe o hábito e mande-a de volta”. E foi assim que Jeanne Marie Rendu, agora Irmã Rosalie, deu os seus primeiros passos e chegou a ser a “Apóstola do bairro Mouffetard”, talvez o bairro mais miserável de Paris, onde esteve até o fim de sua vida. Em 1815, com apenas 29 anos, foi nomeada Irmã Servente, serviço que desempenhou durante 41 anos, até a sua morte.

2.      Superiora Local

Quando leio os relatos das primeiras testemunhas de sua vida, três fatos me chamam a atenção:Seu primo descreve as relações de Rosalie com as Irmãs da comunidade com esta frase: “ternura infinita”. Era muito sensível a tudo que a rodeava. Isto é evidente tanto nos contatos com os pobres como em suas relações com as Irmãs. (…)

1.  Seu primo testemunhou tê-la visto chorar no momento da partida de uma de suas Irmãs a quem queria muito. Certa ocasião, falou de suas lágrimas a uma pessoa de sua confiança e esta lhe disse: “Tenha a certeza de que se não amasse tanto suas Irmãs, não amaria tanto os Pobres”.

2.  A casa onde Rosalie era Irmã Servente converteu-se, por assim dizer, numa “casa de formação”, para onde enviavam muitas Irmãs jovens. Antes de tudo, aprendiam com ela, como servir os pobres. Ao longo dos anos viveram com ela vinte e duas postulantes e, sob sua direção, a partir de 1832, prepararam-se para os votos dezoito Irmãs. No momento de sua morte, doze Irmãs formava a comunidade; a metade delas tinha menos de quatro anos de vocação.

Sua atitude com relação a formação das Irmãs jovens faz-se clara numa carta que escreveu em 1838 a uma jovem Irmã do Seminário das Filhas da Caridade. “Aprenda a ser filha de São Vicente, isto é, Filha da Caridade, herdeira das promessas que Ele (Deus) fez de dar tudo a quem se dá sem reserva”.

Aparentemente, ela fazia guerra ao amor próprio. Uma das Irmãs da casa afirma: “Como Irmã Servente, combatia sem piedade este defeito: é nosso inimigo capital, dizia ela, procurem-no e o encontrarão no fundo de todas as coisas, ele se disfarça para nos enganar e nos perder, mas é preciso agarrá-lo pela garganta e estrangulá-lo”.

 

3. Sob a direção de Rosalie, esta casa extraordinariamente ativa era também, de maneira notável, uma casa de oração.

A comunidade que ela animava, levantava-se, diariamente, às quatro horas da manhã e fazia fielmente a oração. Entre as leituras que Irmã Rosalie considerava como fonte de oração estava a Imitação de Cristo e as obras de São Francisco de Sales, a quem chamava seu querido amigo e conterrâneo da Savóia. Uma de suas companheiras escreve: “Se havia necessidade de deixar Deus por Deus e acompanhá-la numa visita caritativa, dizia-nos: ‘Minha Irmã, comecemos nossa oração!’ Indicava o plano, dava a orientação com poucas palavras simples e claras, e entrava num santo recolhimento” . O Visconde de Melun lembra que em certa ocasião, ela havia dito a uma Irmã: “Nunca faço tão bem minha oração como na rua”.

 Pe. Robert P. Maloney, CM

 

FONTE: DA REDAÇÃO DO CM FORMIGA, com artigo do padre Maloney