Tia conta a história da primeira consócia brasileira a ser beatificada

Isabel Cristina Mrad Campos era membro da SSVP em Barbacena (MG), onde o corpo dela está sepultado

 

Estava tudo preparado para Maria Lúcia da Silva comemorar o aniversário dela em 2 de setembro 1982. De sobremesa teria ‘bolinho de chuva’, o doce preferido da sobrinha dela, a consócia Isabel Cristina Mrad Campos. Só que um dia antes, 1º de setembro, uma ligação anunciou o fim da comemoração. O que seria festa se transformou em velório. Isabel tinha sido brutalmente assassinada com 15 facadas.

A tia Maria Lúcia nunca vai se esquecer daquele 1º de setembro. Isabel era de Barbacena (MG) e foi estudar no cursinho pré-vestibular para Medicina, em Juiz de Fora. Ela e o irmão contrataram uma empresa para montar o guarda-roupa da nova casa. Eles só não imaginavam que o instalador seria um assassino.

O homem, de nome Maurílio, se encantou pela beleza da jovem, e quis estuprá-la. Isabel lutou muito para defender a virgindade, e acabou sendo morta a facadas, conseguindo preservar a castidade que tanto prezava.

Maurílio foi até a casa de uma advogada que o defenderia do crime, no entanto, na residência, ele amarrou a mulher e a família dela. Roubou dinheiro e joias, fugindo do local. Nunca mais foi encontrado.

Isabel tinha 20 anos quando foi assassinada

 

BEATIFICAÇÃO 

Na terça-feira passada, o Papa Francisco reconheceu o martírio sofrido por Isabel Cristina “in defensum castitatis” (em defesa da pureza) e aprovou a causa da beatificação, que ainda não tem data para acontecer.

Isabel não se tornará uma Bem-aventurada apenas pela forma como morreu, mas como viveu. Foi uma jovem que se dedicou à oração e aos mais necessitados, participando das Conferências Vicentinas de Santo Agostinho e São Sebastião.

Os restos mortais dela estão no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Barbacena.

PERDÃO

Os pais de Isabel, o confrade José e Helena, sofreram muito a morte da filha. Os dois já morreram. Maria Lúcia, que é irmã de José, lembra que o irmão nunca quis se vingar do assassino. “Ele sempre dizia: nada que fizer com ele vai trazer a minha filha de volta”.

A tia está muito feliz com a notícia da beatificação da sobrinha. “Ela era uma menina de ouro e que está no céu intercedendo por nós. Toda vez que tenho alguma dificuldade, peço e ela me atende. São inúmeros milagres que veem acontecendo por intercessão dela”.

 

Fonte: Redação do CM Formiga