Tudo o que você precisa saber para deixar as reuniões vicentinas mais atraentes e objetivas

 

Em um mês de quatro semanas, os membros da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) participam ao menos de quatro reuniões da Conferência onde trabalham pelos Pobres. Se o (a) vicentino (a) tiver encargos em Conselhos, o número de encontros pode subir para até nove, caso o confrade e/ou a consócia também frequente as atividades dos Conselhos Particular, Central, Metropolitano, Nacional e Obra Unida. Supondo que cada uma delas demore duas horas, são 18h mensais dedicadas às reuniões vicentinas, quase um dia inteiro. É muito tempo empreendido e, por isso, não pode ser desperdiçado.

As reuniões na SSVP são extremamente importantes, porque na instituição, as decisões partem do colegiado, ou seja, do grupo. No entanto, para que sejam produtivos, esses encontros devem ser objetivos, fundamentados na espiritualidade vicentina e jamais cansativos e enfadonhos, afinal, se forem desinteressantes, podem causar repulsa por parte dos membros e, consequentemente, desmotivá-los de participar da SSVP.

Uma boa dica é relembrar os primórdios da instituição. A SSVP foi fundada por um grupo de amigos que, como tal, se reuniam para tratar das questões dos Pobres. Não há quem não goste de estar ao lado de um amigo, portanto, é preciso ver no irmão de Conferência e Conselho um amigo fiel, que está ao seu lado para servir a Jesus que se faz presente no rosto de cada assistido da entidade.

Entre amigos pode haver divergência, é claro! Porém, as questões pendentes precisam ser resolvidas com respeito, carinho e sem delongas. Não é tratar dos assuntos da SSVP com pressa, mas não dedicar mais que o tempo mínimo suficiente para solucioná-los. Este ensinamento vem de um dos maiores empresários magnatas do mundo: Steve Jobs (1955-2011), fundador da Apple. Ele abominava as reuniões longas, porque as considerava improdutivas.

Embora a empresa de Jobs fosse de tecnologia, presava as reuniões presenciais objetivas. “Há uma tentação, em nossa era conectada, a achar que todas as ideias podem ser desenvolvidas por e-mail ou iChat”, disse ele ao Harvard Business Review. “Isso é uma loucura. Criatividade vem de encontros espontâneos, de discussões aleatórias. Você se encontra com alguém, pergunta o que ele está fazendo, diz ‘uau!’ e logo vocês estão cozinhando todo o tipo de ideias”.

 

FLOW

Flow, em português Fluxo, é um termo da Psicologia proposto por Mihaly Csikszentmihalyi, que designa o momento quando uma pessoa está totalmente envolvida em uma atividade. Isso é extremamente importante dentro de reuniões. Quando for participar de uma, deixe seus problemas do lado de fora e viva aquele momento intensamente. O tempo que estiver reunido com os outros irmãos vicentinos, que seja por 1 ou 2h, não pode ser atrapalhado por ruídos externos de outras preocupações.

Os confrades e consócias devem estar ali conscientes da missão de “servir e evangelizar os Pobres” e, para tal, necessitam de organização, a começar pela pauta e o início da reunião no horário determinado.

As atividades vicentinas sempre começam com orações, no entanto, elas não podem ser feitas de modo mecânico. Utilizando o conceito do flow, os vicentinos precisam estar concentrados naquele momento, invocando as luzes do Espírito Santo, afinal, eles estão reunidos por causa dos ‘Mestres e Senhores’, os Pobres. Conversas paralelas jamais podem atrapalhar esse momento.

 

Passo a passo

Confira 11 dicas elencadas pelo confrade Helio Pinheiro – um estudioso e entendedor dos trabalhos vicentinos – de como as reuniões vicentinas podem ser melhores aproveitadas:

 

1)                   Quem dirige deve estar atento a algum visitante, seja representante de Conselho ou não, para convidá-lo para um lugar de destaque junto à mesa de direção, antes de se iniciar a reunião.

2)                   Após as orações regulamentares, um verso e refrão do hino a São Vicente de Paulo sempre anima a reunião.

3) A leitura espiritual não seja muito longa. Bem-feita, com o leitor de pé e com um tema atual.

4)                   O secretário, ao efetuar a leitura da ata, inicie assentado, e quando fizer a saudação Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo (sempre no cabeçalho) da ata, ponha-se de pé.

5)                   À chamada, os confrades, consócias e visitantes respondam de pé e com alegria, como por exemplo, Viva Jesus, Graças a Deus. Nunca com a expressão, por exemplo: Presente!

6)                   O tesoureiro apresente o estado do caixa de pé, discriminando a receita e despesa da reunião anterior.

7)                   O presidente, de pé, agradece a presença do visitante com muita alegria. Pede que todos fiquem de pé para um cântico de boas-vindas.

8)                   As notícias dos trabalhos realizados sejam organizadas e objetivas.

9)                   Durante a palavra franca, após a manifestação de membros, o visitante deva ser convidado, também, a falar.

10)         A coleta deva ser efetuada de pé, enquanto se canta verso e refrão de um hino, como por exemplo, a Ozanam.

11)         As orações finais devam ser conduzidas pelo visitante. No manual da Regra existem várias que estão ali para ser rezadas. A cada semana uma. Um abraço no visitante pelos membros da Conferência ao final é prova de amizade.

 

Observação: A ordem cronológica da reunião aqui mencionada está prevista em o ROTEIRO BÁSICO DE REUNIÃO ORDINÁRIA DE CONFERÊNCIAS, nas páginas 229/230, da Regra